(I)
Versos entre estrelas
eis noite, cai enfim, alguns
brincam de sorrir.
(II)
Afortunados
os que sonham sem temer
ver brilhar aurora.
(III)
Existe beleza
no nascer, entardecer
e encerrar do ocaso.
(IV)
Olhar penetrante,
rasga alma e engasta teu nome,
lê segredos dela.
(V)
Uma vez sobra a brisa!
Desabrocha único cravo!
Tempo anda adiante!
(VI)
Troca dolorosa
a pele, dragão, fortalece
criatura mística.
(VII)
Resgata na força,
ímpeto do ser maior,
regozija a vida.
(VIII)
Ampare, Apolo,
devoto fiel, teus legados,
humilde discípulo.
(IX)
Aproveita logo,
faz valer curtos segundos
que duram a vida
(X)
Que não tarda mais
que horas, abrir porta à morte,
triste esquecimento.
(XI)
Outuno vê folhas
uma a uma cair. Faz surgir
novo no que é antigo.
(XII)
O vermelho veste,
cobre a face ao ouvir palavras
que alegram o espírito.
(XIII)
Quem cria esperanças
Entremeia, ser, vontade
e, querer, desejo.
(XIV)
Protege, bem, lar.
cuida, bem, coração. Quem
chama, bem te quer.
(XV)
Sussurra palavras.
Desnecessário ao momento.
Silêncio explica-se.
(XVI)
Eu raio, dever,
luz. Os versos justificam
o fim reservado.
(XVII)
Pensamentos vagam,
corrói o ser, dilacera,
mutila a razão.
(XVIII)
Devaneios dizem:
presente, resultado, é
futuro aguardado.
(XIX)
Se vida é instante
passado e a morte próxima,
o agora é além tudo.
(XX)
Acha alegria,
entre os negros véus, oculta,
Por trás timidez.
(XXI)
Descende e deseja
renascer para, o que, novo
fadado à ventura.
(XXII)
Noite, novamente,
entre abraço, sereno, alguns
brincam de sorrir.
