Não desperdices a linguagem inutilmente

August 26th, 2008

Em metáfora,
Sentimento é um gasto (excessivo) da linguagem.

Rasga um verso, molda-se uma linha,
a experiência vã, frustrante.
Definir com expressões um aperto junto ao peito.
o rubro nas faces e os devaneios pensantes?

Transcede, o sentimento, os limites da razão,
foge o controle da vontade humana.
faz do sábio, um tolo e,
de um tolo, um poeta.

Em verdade,
Amor é aquilo que guardas (dos outros e de ti mesmo).

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haikai (XVII)

August 26th, 2008

Sobe triviais
caminhos. Invade os sonhos
próximos, distante.

 

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pescar sorriso

August 23rd, 2008

 smile

Nesses últimos dias resolvi começar a ir para as aulas da tarde, do cursinho, caminhando. São curtos e produtivos três quilômetros de famoso modo “pé-dois”, que dariam uma boa forma de meditação, se não fossem os quilos de livros nas costas. Neste tempo, posso pensar em vários assuntos, tomar um sol, praticar um exercício saudável e assobiar algumas musica que tocam no meu mp3 com tranqüilidade, até chegar ao destino.

Mas o passatempo favorito é prestar atenção nas pessoas e suas características. As 13h o movimento é fraco, às 18h, hora de retorno, o movimento, apesar de intenso, torna as pessoas mais sisudas. Todas parecem ter um sério problema a resolver, uma pedra no caminho da felicidade e algo que as impossibilitem de apreciar aquela casa que antes tinha o muro branco e hoje adquiriu uma pintura verde escura (e provavelmente amanhã já estará pichado).

Cheguei até a pensar que não encontrariam ninguém sorrindo pelo caminho. Vi homens de gravata em carros cinza sem placa, sérios; mulheres arrumadas subindo o caminho da faculdade; gente voltando do trabalho apressadas e estressadas, apesar disso ser uma cidade de interior que nem metro tem. Cheguei a travar dialogo com um senhor, de olhar baixo e aspectos cansados, que parecia bravo com a hora do rush e motoristas que não “dão seta”: “Ta vendo, tudo loco, dirigem que nem malucos!”.

Conformei-me e deixei a busca por um sorriso outro dia. Foi quando passei por uma mulher que carregava três caixas de papelão cheias de vários materiais recicláveis. Eram tantos que cada passo parecia ser calculada para não derrubar, quando já tinha ultrapassado e estava alguns metros à frente, ela grita: “ô seu moço! Me ajuda”. Girei nos tornozelos e fui ajudá-la a organizar o que havia caído, eram varias garrafas Pets e latinhas. Terminado o meu bom-samaritanismo, recebi o tão espero sorriso do dia, acanhado e tímido, como se eu fosse desaprovar a situação daquela mulher, mãe de muitos. Era o que era: um autentico e exemplar sorriso. Talvez a situação da mulher permitisse mais motivos para ela não sorrir, mas ainda assim ela o fazia, com receio tal qual seu cuidadoso andar. Mas era um sorriso e eu sorri de volta, agradecendo o mesmo.

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Hedonismo

July 20th, 2008

Vi em linhas turvas no horizonte
desenhar glorioso futuro ao nobre dragão.

Sagaz destino aguarda na perseverança
da fé inabalável do desejo humano.

Agora provai, amigo, do suco das ninfas
bailando e deslizando desejos sobre os (nossos) corpos.

O homem que, na luta, exita, mostra o coração
fraco e juvenil que carrega no peito imaturo.

Nós, companheiros, conhecemos o poder viril que nos habita
e sorrimos em honesta vontade.

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Advertência para os beatos e neuróticos de plantão: sejam menos castos, não é errado ser o que se é.” - Patrícia Aparecida


A japonesa e o tango

July 11th, 2008

A descendente ensaia um passo,
dois, três passos.
Se aproxima,
sorri.
Faz um oito, um gancho e deita.
Mas gosta mesmo é
de se enroscar.
Várias vezes.

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Dias longos e minutos curtos

July 9th, 2008

Sabes o nexo
do reverso
da teoria transcendental
da arte
envolto na doçura
das letras puras
(dizeres dos escritores amigos)

Conheces o caminho dos mistérios
guarda em cristais, estrelas,
magias, das epifanias
que o vento, pacífico, carrega.

Trazes anexo
à frente nua
e o seio resplandecente:
ternura, em olhos indecifráveis.

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Poesigrafia (V)

July 5th, 2008

Seguem horas livres,
ao longo de dias intermináveis.
Sinto a impotência do meu universo
fluir e evaporar-se.
O tempo mostra os seios e se esconde.
Vaga errante em sonhos
e excita, no sangue, masculamente

Agarra-me e faz da parede, cama.
Corpo nu, transpira, e peito aberto nu.
Preenche o vazio aos gritos
Cria-me em universo novo
Com o êxtase que tira as forças das pernas.

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Auto-ódio

June 25th, 2008

 Bush

 

O meu auto-ódio em primeiro de tudo não é ocasionado por um motivo único e externo. Primeiro porque não tenho tempo e paciência para interiorizar fatos que ocorrem na minha vida (os negativos, por exemplo), segundo, pois isso me faria sentir auto-vergonha, me dobrar e ficar irritado por um único fato (ou alguns sucessivos).


Lógico que não estou dizendo que sou honesto, ao comentar com alguém sobre isto, engano e driblo a maioria das pessoas (quase um Garrincha). É muito mais simples dizer que está irritado com algum fato externo do que dissertar sobre a verdadeira origem do auto-ódio. Eu. É tão óbvio que me irrita. Sim, eu me odeio. Ponto final.


É mister que você já ouviu da lei de ação e reação ou Terceira Lei de Newton. Pra você que passou o colegial inteiro assistindo “Malhação”, numa explicação compreendida por qualquer 6ª série, o Sr. Isaac define que: “Para cada ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”. Quando você da um murro ela devolve isto para você. Ao tocar um corpo feminino este também toca o teu - e as mulheres ainda reclamam na manicure e nos banheiros, e agora em blogs, que os homens são egoístas e hedonistas no ato sexual. Oras, é óbvio que nem todos os companheiros são como eu, portadores de sangue-latino, mas se existe alguém para tocar tem que haver alguém para ser tocado, então reclamem menos e aproveitem mais já que existe essa maldita lei no universo. Assim meu querido auto-odiamento é nada mais que criação minha.


É incrível ver dezenas de meninas, lindas diga-se de passagem, loiras, bem vestidas, arrumadas, maquiadas (as 6h30m da manhã de segunda) e todas iguais parecem até fabricadas em formas, algumas uma rachadura aqui ou uma espinha ali, mas todas iguais. Sem contar garotos com a puberdade explodindo nos rostos bonitinhos a base de Isotretinoína, se aparecendo uns para os outros, numa tentativa desesperada de alcançar o posto, maldita sessão da tarde, de o mais popular da turma - talvez seja influência também do Discovery Channel com aqueles documentários de leões disputando o posto de macho-alfa do bando. E aonde eu me encaixo nisso tudo? Exatamente, eu estou nesse contexto. Apenas um observador passivo, mas cúmplice, tal qual as roupas da mulher adultera jogadas pelo chão. Por participar de coisas como essa e não tentar mudar a situação termino por detestar-me e por me sentir desprezível me odeio.


É um processo constante, diário, instantâneo. Disfarçado, acima de tudo. Um erro da minha parte, porque não ser honesto com todos? Porque as pessoas são a causa do meu ódio, a inércia delas e estupidez que compartilhamos. Como a verdade é a melhor forma de disfarce, melhor maneira de não-demonstrar o ódio é o sorriso. É com alegria contagiante que busco o convívio social e por conseqüência consigo conviver comigo mesmo e me odiar menos.


Agora após ler tudo isso, por favor me odeie e odeie um pouco a si mesmo também

 

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Análise

June 16th, 2008

(I)
Versos entre estrelas
eis noite, cai enfim, alguns
brincam de sorrir.

 

(II)
Afortunados
os que sonham sem temer
ver brilhar aurora.

 

(III)
Existe beleza
no nascer, entardecer
e encerrar do ocaso.

 

(IV)
Olhar penetrante,
rasga alma e engasta teu nome,
lê segredos dela.

 

(V)
Uma vez sobra a brisa!
Desabrocha único cravo!
Tempo anda adiante!

 

(VI)
Troca dolorosa
a pele, dragão, fortalece
criatura mística.

 

(VII)
Resgata na força,
ímpeto do ser maior,
regozija a vida.

 

(VIII)
Ampare, Apolo,
devoto fiel, teus legados,
humilde discípulo.

 

(IX)
Aproveita logo,
faz valer curtos segundos
que duram a vida

 

(X)
Que não tarda mais
que horas, abrir porta à morte,
triste esquecimento.

 

(XI)
Outuno vê folhas
uma a uma cair. Faz surgir
novo no que é antigo.

 

(XII)
O vermelho veste,
cobre a face ao ouvir palavras
que alegram o espírito.

 

(XIII)
Quem cria esperanças
Entremeia, ser, vontade
e, querer, desejo.

 

(XIV)
Protege, bem, lar.
cuida, bem, coração. Quem
chama, bem te quer.

 

(XV)
Sussurra palavras.
Desnecessário ao momento.
Silêncio explica-se.

 

(XVI)
Eu raio, dever,
luz. Os versos justificam
o fim reservado.

 

(XVII)
Pensamentos vagam,
corrói o ser, dilacera,
mutila a razão.

 

(XVIII)
Devaneios dizem:
presente, resultado, é
futuro aguardado.

 

(XIX)
Se vida é instante
passado e a morte próxima,
o agora é além tudo.

 

(XX)
Acha alegria,
entre os negros véus, oculta,
Por trás timidez.

 

(XXI)
Descende e deseja
renascer para, o que, novo
fadado à ventura.

 

(XXII)
Noite, novamente,
entre abraço, sereno, alguns
brincam de sorrir.

 

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Versos de um cavalo

June 14th, 2008

As nuvens brancas cortam
as dimensões insondáveis do espaço
As luzes, ao longe, se movimentam e
ganham vida
A relva permanece gélida
e eu a saboreio
gosto de mato, de terra, de estrume
o gozo do paladar sobre a língua
o êxtase em cada respirar
a vida fluindo debaixo do casco duro
a essência do existir
na agua suja das poças
no momento de prazer supremo
eu urino sobre as rédeas

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talvez a “obra-prima”